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Cinquentenário
RBSO comemora 50 anos com debate sobre desafios da publicação e da comunicação científica sobre Saúde e Trabalho
O papel educativo dos periódicos científicos, a democratização das mídias, a necessidade de se discutir transformações e ir além dos diagnósticos foram questões em pauta na celebração "RBSO 50 anos: um olhar sobre os desafios futuros", realizada em 31 de agosto, na Fundacentro, em São Paulo/SP. É possível assistir ao vídeo no canal da Fundacentro no YouTube.
O evento foi permeado por debates e reflexões sobre a divulgação científica nos campos de Saúde Coletiva e Saúde do Trabalhador. Nas discussões, apontou-se que os critérios de classificação de periódicos (Qualis) da Capes (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior) se baseiam apenas em métricas que, sob alguns aspectos, prejudicam os periódicos nacionais em relação aos internacionais. Não se considera a importância desses veículos como fonte de informação para determinados campos de pesquisa, serviços públicos e setores da sociedade, como no caso da Saúde do Trabalhador.
Esse debate fez com que os participantes propusessem a elaboração de um documento que refletisse as discussões trazidas pelos pesquisadores de diferentes instituições. Essa ação se estende para além do evento, que deu impulso para iniciativa, em processo de construção coletiva.
Desafios
Os desafios dos periódicos científicos estiveram em pauta durante as apresentações. A mesa, composta por três palestrantes, teve a coordenação da editora-chefe da RBSO e professora da Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Ada Ávila Assunção.
A editora-chefe da revista The Lancet Regional Health – Americas, Taissa Vila, trouxe a experiência regionalizada do periódico científico The Lancet, que possui atualmente 23 revistas. A publicação voltada para o continente americano foi lançada em 2021 e olha para medicina com lente de Saúde Pública no contexto dessa região.
A maioria dos artigos vem dos Estados Unidos, e o fato de a publicação ser em inglês, em sua avaliação, ainda é uma barreira para a participação brasileira. A palestrante também apresentou alguns artigos publicados na revista que propiciaram impactos positivos. Um voltado para a Covid-19 influenciou a elaboração de políticas públicas. Outro sobre casos de Covid-19 entre crianças virou pauta de matéria do Jornal Nacional. Após a repercussão, o Ministério da Saúde comprou vacinas para esse público.
Já o editor-chefe do Journal of Occupational Health (Japão), Narufumi Suganuma, abordou os desafios editoriais de um periódico regional do tema Saúde-Trabalho e parabenizou a RBSO. “Coincidentemente compartilhamos uma parte dos nomes das nossas revistas. Há uma forte relação entre essas duas revistas, no Japão e no Brasil. Fico feliz que vocês contribuíram por mais de 50 anos para a prevenção de doenças ocupacionais e a promoção da saúde e segurança do trabalhador”, afirmou.
A publicação, da Sociedade Japonesa de Saúde Ocupacional (JSOH), tem acesso aberto e aborda temas como toxicologia, ergonomia, promoção da saúde, epidemiologia, prática de saúde ocupacional e saúde mental. “Durante a pandemia de Covid-19, um estudo de coorte iniciado no Japão contribuiu para entender e recomendar medidas eficazes contra a Covid-19”, relatou. Também apresentou algumas métricas da publicação, questões ligadas à submissão e à avaliação.
Por fim, a coordenadora do Fórum de Editores de Saúde Coletiva e editora-chefe da revista Trabalho, Educação e Saúde, Angélica Ferreira Fonseca, falou sobre os desafios dos periódicos de Saúde Coletiva e do tema Saúde-Trabalho. Uma das questões discutidas foi a ciência aberta, que vê o conhecimento como direito e promove o acesso a ele sem barreiras, sem deixar de observar os critérios de avaliação e questionar se são todos aplicáveis.
Para pensar o fazer científico, Fonseca destacou que é necessário manter as perguntas vivas. “Quando em diálogo com o mundo do trabalho contemporâneo, o olhar que nos interessa examina e confronta uma realidade de dificuldades para os trabalhadores”, explicou. “Isso é o que nos cabe como pesquisadores, promover e incentivar perguntas e caminhos investigativos que nos convoquem o compromisso com a transformação das condições em que se concretizam processos de trabalho, processos de saúde e de adoecimentos”, concluiu.
Referência
Na abertura do evento, o editor-chefe da RBSO e pesquisador da Fundacentro, José Marçal Jackson Filho, destacou o movimento que se fez para fortalecer a publicação e transformá-la em algo maior. “É uma instituição não só da Fundacentro, mas do campo da Saúde do Trabalhador. Ela não nos pertence mais. O desafio é tornar essa revista cada vez mais forte”, avaliou José Marçal.
O presidente da Fundacentro, Pedro Tourinho, reiterou seu apoio à RBSO como instrumento para a ciência brasileira e à saúde do trabalhador e da trabalhadora. O diretor de Pesquisa Aplicada, Rogério Bezerra da Silva, ressaltou a qualidade científica, que pode ser observada pela quantidade de citações, e a relevância social. Como exemplo, citou a quantidade de sentenças judiciais que citam a revista.
Um dos desafios da RBSO é que ela chegue não só até a comunidade científica, mas também àqueles que estão no cotidiano do trabalho. Esse é o caminho trilhado. “A discussão de Saúde do Trabalhador é fundamental para recuperarmos o valor do trabalho”, afirmou o diretor de Conhecimento e Tecnologia, Remígio Todeschini.
Conversa entre editores
A comemoração ainda teve uma reunião fechada do corpo editorial da RBSO, em que se abordaram os parâmetros atuais de avaliação, as exigências de produção e realidades vivenciadas pelo periódico científico. A atividade foi coordenada, no período da manhã, pelo editor-chefe da RBSO, Eduardo Algranti.
Na ocasião, o editor executivo da RBSO e pesquisador da Fundacentro, Eduardo Garcia Garcia, falou sobre a realidade da publicação, tratando temas como submissões, publicações e alguns impactos sociais da publicação. Já o analista em ciência e tecnologia Júlio Alves mostrou qual o papel da secretaria executiva da revista. Coube a editora adjunta da revista, Leila Garcia, abordar os desafios futuros.
A RBSO alcançou a 47ª posição entre os 100 periódicos mais citados em língua portuguesa pelo Google Scholar Metrics 2023. O ranqueamento anual aponta os periódicos com mais citações de artigos por idioma nos últimos cinco anos – de 2018 a 2022 – nessa plataforma. Os três textos com mais citações nesse período foram A saúde do trabalhador e o enfrentamento da Covid-19, Proteção da saúde dos trabalhadores da saúde em tempos de Covid-19 e respostas à pandemia e Síndrome de Burnout em médicos: uma revisão sistemática. Acesse a lista dos artigos mais citados da RBSO.
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Assista ao vídeo com o editor executivo da RBSO Eduardo Garcia Garcia.