Estresse ocupacional coloca em risco saúde mental dos policiais

Fundacentro alerta sobre o alto índice de suicídios entre os PMs de São Paulo

Publicado em 13/02/2002 01:00Modificado em 17/08/2022 18:09
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Tensão constante da atividade, pressão por resultados, aumento da violência e mudança do perfil da criminalidade são os principais fatores que levam o trabalhador da segurança pública ao estresse ocupacional, com conseqüente prejuízo da saúde mental desses profissionais. O alerta é da psicóloga do trabalho e pesquisadora da Fundacentro, Denise Monetti. O problema é agravado pela ausência de serviços especializados em segurança e medicina do trabalho na maioria das corporações policiais de todo o País. A pesquisadora lembra que esses trabalhadores são obrigados a conviver no dia-a-dia com diferentes níveis de violência e situações e comportamentos imprevisíveis, que exigem constante estado de alerta. “ Lidar com esse universo desconhecido, que muitas vezes envolve risco de vida para o policial, sem um preparo psicológico, gera sofrimento mental e interfere na avaliação dos limites no combate à violência, como temos visto inúmeros exemplos em todo o País”, ressalta Denise. A dificuldade em atender a demanda da sociedade na repressão da criminalidade e a exigência que o policial se transforme num ‘super-homem’ também contribuem para aumentar ainda mais o estresse de quem trabalha na segurança pública. Ela lembra que, em geral, os policiais são treinados para não sentir medo. “ O medo é um sentimento saudável e está ligado ao instinto de sobrevivência”, ressalta. “O que não é saudável é não dispor de recursos para administrar esse sentimento, principalmente em atividades de alto risco, como é o caso das polícias. Daí a necessidade de que eles possam contar com assistência psicológica profissional”, afirma. Suicídio – Uma pesquisa realizada junto à corporação da Polícia Militar de São Paulo mostra que o número de suicídios desses profissionais na capital é alarmante. O número de casos por 100 mil trabalhadores chega a 35,60 por ano, contra 4,61/100 mil em todo o Estado. No Brasil, o coeficiente é de 3,60/100 mil. O estudo revela ainda que 49,7% dos casos de suicídio entre os PMs paulistas ocorrem nos primeiros seis anos na corporação. A explicação é o impacto da atividade sobre o trabalhador. Atenta ao problema, a Fundacentro promoveu em maio de 2001, no Pará, o segundo seminário de prevenção de acidentes e saúde do trabalhador da segurança pública, reunindo mais de 600 profissionais de todo o País. No encontro foram aprovadas várias propostas, como criação de CIPAS nas polícias civil e militar, implantação de programas de prevenção e controle de estresse nas unidades de trabalho, incluindo atendimento psicológico, entre outras. As sugestões serão encaminhadas às autoridades estaduais e federais da área de segurança pública.

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