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ENCONTRO DE PESQUISA & INOVAÇÃO

Fundacentro foca em pesquisa aplicada e em inovação

Durante encontro no final do ano, pesquisadores e presidente abordaram ações da instituição
Publicado em 08/01/2021 14h24 Atualizado em 08/01/2021 16h35
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O Encontro de Pesquisa & Inovação, realizado pela Fundacentro em dezembro, trouxe uma programação diversificada e um espaço para a reflexão sobre a saúde e segurança do trabalhador. Uma das atividades foi o Painel de Pesquisa Aplicada, no primeiro dia de evento (16), em que pesquisadores apresentaram projetos realizados pela instituição.

Mortalidade por silicose

O estudo “Mortalidade por silicose: tendência temporal 1980 – 2017” foi apresentado pelo médico pneumologista e pesquisador Eduardo Algranti. Houve dois recortes no conjunto de dados levantado. Os registros de dados como causa básica de óbito em adultos de 20 anos ou mais, de 1980 a 2017, apontaram 3.057 mortes de homens e 107 de mulheres, com média de idade de óbito de 59,2 anos. Já os registros de óbitos com silicose como causa básica e como contribuinte em adultos de 20 anos ou mais, de 2000 a 2017, mostraram a morte de 2.806 homens e 89 mulheres. Do total de 2.895 mortes registradas, a silicose foi considerada causa básica em 2.082 e causa contribuinte em 813. A média de idade de óbito foi de 61,9 anos.    

Finalizado em 2020, o estudo também fez uma comparação do número médio de óbitos por período em grupos de municípios com atividades econômicas similares. Outra análise levou em conta as principais causas básicas de óbito quando a silicose foi causa contribuinte, destacando-se a tuberculose, doença pulmonar provocada por microbactérias não tuberculosas (MNT), doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC) e câncer de pulmão. As análises podem ser utilizadas como ferramentas de vigilância.

“Em contraste com os países desenvolvidos, a mortalidade por silicose aumentou até 2006, quando começou a cair, principalmente a partir de um platô/diminuição nas mortes em municípios que abrigam ramos de atividade regulamentados. No entanto, isso não se reflete no setor não regulamentado, sendo este o principal desafio para o controle e vigilância da exposição”, afirma Algranti.  

Ainda se constatou falta de declínio na mortalidade de pessoas de faixa etária mais avançada, o que reflete, na avaliação do médico, possivelmente a existência de indivíduos com exposições prolongadas e com silicose crônica.  “O recente declínio na mortalidade nos grupos de 50-69 anos e 20-49 anos deve estar relacionado a melhorias na prevenção primária, como a proibição de jateamento de areia em 2005”, completa.

Indicadores em saúde do trabalhador

A questão estatística também foi pauta do estudo “Prospecção e diagnóstico técnico dos bancos de dados e remodelagem das estatísticas e indicadores sobre a saúde do trabalhador (Prodiag): projeto piloto”, que passou a compor a Linha de Pesquisa Estatísticas e Indicadores em SST do

acordo de cooperação técnica com o Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada). Pela Fundacentro, esse trabalho teve a coordenação técnica do sociólogo e analista em ciência e tecnologia, Celso Salim.

“Este estudo priorizou estratégias para o desenvolvimento de um novo paradigma destinado à melhoria dos dados estatísticos e dos indicadores sobre os agravos à saúde no ambiente de trabalho. Paradigma capaz de subsidiar novos estudos e o planejamento e atividades fins na área de SST. Sua principal contribuição foi realizar a prospecção de registros administrativos federais que cobrem a tríade Trabalho-Saúde-Previdência e demonstrar a exequibilidade da integração de várias de suas informações”, avalia Salim.

Os resultados alcançados, para o pesquisador, podem servir de subsídios à construção de piloto de um sistema integrado de informação. Parte desse trabalho pode ser consultada no livro Saúde e Segurança no Trabalho no Brasil: Aspectos Institucionais, Sistemas de Informação e Indicadores , disponível na Biblioteca Digital da Fundacentro .

Análise de acidentes

Além das questões estatísticas, é importante analisar os acidentes do trabalho, entender as causas e promover um debate coletivo, superando a influência do modelo baseado no ato/condição inseguros. Esse foi o universo explorado  pelo ergonomista e pesquisador da Fundacentro, José Marçal, em duas intervenções formativas realizadas junto ao Centro Estadual de Saúde do Trabalhador (Cest) do Paraná, em 2016 e 2019.  Mais de cem profissionais de saúde e técnicos de diversos municípios e regionais de saúde do estado foram formados na investigação de acidentes, a partir da análise e discussão coletiva de casos trazidos pelos participantes.

Marçal explicou a importância de se resgatar a narrativa anterior ao acidente, mostrando casos de investigação em que houve a superação da “história única” e uma ação pedagógica visando à prevenção. O projeto, organizado na forma de oficinas divididas em três módulos, propiciou o desenvolvimento de novo papel para os profissionais e técnicos, na criação de rede / comunidade profissional e na articulação com outros espaços.

A primeira intervenção foi realizada no âmbito do projeto temático da Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo ), “Acidente de trabalho: Da análise sócio técnica à construção social de mudanças”, coordenado pelo professor Rodolfo Vilela da Faculdade de Saúde Pública da USP, entre 2012 e 2017.

Segurança Química

Já o químico e pesquisador Gilmar Trivelato falou sobre o projeto “GHS e gestão sustentável de produtos químicos nos ambientes de trabalho”, realizado entre 2014 e 2018. O objetivo foi contribuir para a implantação do GHS (Sistema Globalmente Harmonizado de Classificação e Rotulagem de Produtos Químicos) e para a gestão sustentável de produtos químicos no Brasil, com foco nos riscos à segurança e saúde dos trabalhadores.

Durante o projeto, houve a orientação de dissertações de mestrado; a realização de cursos de formação em parceria com a Abiquim (Associação Brasileira da Indústria Química) e com a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária ); realização de palestras e seminários sobre GHS; e participação no Grupo de Trabalho sobre Regulamentação de Substâncias Químicas, coordenado pelo Ministério do Meio Ambiente, e atualização da NR 26 (Sinalização de Segurança).

Uma das dissertações pode ser acessada na Biblioteca Digital da Fundacentro: Aplicação do Sistema Globalmente Harmonizado de Classificação e rotulagem de produtos químicos (GHS): análise do conteúdo de fichas de dados de segurança para substâncias produzidas em larga escala . Outras duas estão disponíveis na área de Pós-graduação do antigo portal: Classificação de tintas de acordo com o sistema globalmente harmonizado (GHS): orientações para indústrias de pequeno e médio porte  e  Gestão de produtos químicos nos locais de trabalho em micro e pequenas empresas prestadoras de serviços de repintura automotiva .

Balanço institucional

O primeiro dia do encontro também teve espaço para um balanço institucional. Na abertura,  estiveram presentes o presidente da Fundacentro, Felipe Portela; o secretário especial de Previdência e Trabalho, Bruno Bianco; o secretário do Trabalho, Bruno Dalcolmo; e o secretário executivo do Ministério da Economia, Marcelo Guaranys.

Portela destacou o papel da Fundacentro para estimular a inovação e contribuir para a promoção de políticas públicas baseadas na prevenção. Já Bianco reforçou a importância técnica da instituição. Por fim, Dalcolmo ressaltou o auxílio dado na revisão das normas regulamentadoras, ”com seriedade e fundo científico”.

Após a abertura, o presidente da Fundacentro fez um balanço sobre a gestão em 2019 e 2020, em que se realizaram uma reorganização administrativa e a adequação do orçamento à situação fiscal do país. Também se buscou investir em pesquisas aplicadas, que tragam resultados práticos para as pessoas e às empresas, voltadas à prevenção.

Para tanto, desenvolveu-se uma metodologia para selecionar temas prioritários, realizaram-se cursos e eventos virtuais e se criou uma agenda de inovação. A necessidade de dados e indicadores para melhorar as condições de trabalho no Brasil foi destacada por Portela.

Saiba mais

Assista aos vídeos no canal da instituição no YouTube:

Abertura e apresentação Fundacentro 2019/2020

Painel de Pesquisa Aplicada com pesquisadores da Fundacentro

O primeiro dia do Encontro de Pesquisa & Inovação também contou com outras atividades, veja os detalhes nas matérias:

Livro traz orientações para controle de exposição dérmica a produtos químicos  

Publicação, lançada no Encontro de Pesquisa & Inovação da Fundacentro, está disponível gratuitamente em formato digital

Servbem vence Desafio de Inovação sobre saúde mental  

Premiação deixa legado de soluções e vídeos com informações que podem ser aplicadas em diferentes organizações