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Servbem vence Desafio de Inovação sobre saúde mental

Premiação deixa legado de soluções e vídeos com informações que podem ser aplicadas em diferentes organizações
Publicado em 29/12/2020 11h41 Atualizado em 08/01/2021 17h11
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A ServBem foi a vencedora do Desafio de Inovação sobre Saúde Mental, realizado pela Fundacentro, pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e pela Escola Nacional de Administração Pública (Enap). O segundo lugar ficou com a Plataforma Care e o terceiro com a Plataforma Lize. O anúncio foi feito em 16 de dezembro durante o Encontro de Pesquisa & Inovação, realizado pela Fundacentro de forma on-line. As iniciativas receberão R$ 50 mil, R$ 30 mil e R$ 20 mil, respectivamente.

O desafio não termina aqui porque as propostas vencedoras serão testadas e passarão por uma prova de conceito. A ideia é que sejam implementadas de alguma forma na prática e tragam benefício para o serviço público e, consequentemente, para a sociedade”, explica a diretora de Pesquisa Aplicada da Fundacentro, Erika Benevides.

A proposta vencedora, pensada por servidores públicos, propõe uma plataforma integrada e multinível para identificação, mensuração e monitoramento de riscos à saúde mental dos trabalhadores. Já a segunda e terceira colocadas são startups.

Temos três soluções que entregam produtos com funcionalidades diferentes. Três soluções para ser aplicadas nos órgãos públicos e que se completam”, afirma a diretora executiva do Departamento de Pesquisas Judiciárias do CNJ, Gabriela Azevedo.

Esta iniciativa pode abrir caminho para outras ações na área de SST. “Sigamos chamando a sociedade para participar, criando soluções para outras temáticas de saúde do trabalhador”, convida Camila Medeiros, coordenadora-geral no GNova/Enap e responsável pela iniciativa de inovação aberta gov.br/desafios.

A jornada do desafio contou com a realização de seis lives na primeira fase, visando aprofundar os conhecimentos sobre saúde mental. Houve a inscrição de 21 propostas, das quais foram selecionadas cinco finalistas para a segunda fase, em que as equipes puderam desenvolver protótipos dos projetos, que foram avaliados por uma banca examinadora para se chegar ao resultado final.

Veja o edital com o resultado publicado no Diário Oficial da União em 21/12/2020

Vídeos estão disponíveis no YouTube

Os vídeos do Desafio de Inovação, voltado para buscar soluções que identifiquem riscos relacionados à saúde mental de servidores públicos, estão disponíveis no canal da Fundacentro no YouTube. Foram seis lives com especialistas que realizaram um amplo debate sobre saúde mental no trabalho, refletindo sobre questões que se aplicam a diferantes organizações.

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), 264 milhões de pessoas sofrem depressão e ansiedade no trabalho, o que causa uma perda de US$ 1 trilhão/ano por redução de produtividade na economia mundial. A mesma pesquisa afirma que, para cada US$ 1 investido em ações para melhora na saúde mental dos trabalhadores, há o ganho de US$ 4 em aumento da produtividade.

Inovar é preciso

A primeira live da jornada teve a participação dos presidentes da Fundacentro, Felipe Portela, e da Enap, Diogo Costa, além da conselheira do CNJ, Flávia Pessoa. As falas dos dirigentes mostraram como a inovação possibilita que se dê uma resposta adequada aos desafios encontrados, para o conhecimento ser aplicado.

A parceria entre o público e o privado e a utilização de equipes multiprofissionais para procurar construir soluções foram outros aspectos apontados neste primeiro vídeo.

Assista à Live #1 Jornada do proponente

Sentido do trabalho

Uma das maneiras de se chegar ao adoecimento mental é quando se vive uma situação em que o trabalho perde o sentido. É importante entender quais são os impedimentos à ação. "A saúde mental está muito ligada à injustiça e à impotência", explicou o pesquisador da Fundacentro, José Marçal.

Marçal e Paulo Lira, CEO da startup Bem Comunidade saúde e medicina preventiva, foram os convidados para pensar o problema do adoecimento mental dentro do serviço público e a necessidade de se identificar os riscos antes que o trabalhador adoeça.

"É necessário um modo de gestão que dê suporte a ação, ao invés de conformá-la ou reduzi-la ao gerível", apontou o pesquisador da Fundacentro.

Assista à Live #2 Sobre o problema

Engajamento como proteção

O engajamento foi apontado como fator de proteção à saúde mental por Ana Vazquez, professora e pró-reitora de Gestão com Pessoas da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA). Neste encontro, Erika Benevides também recebeu Roberto Moraes Cruz, professor e pesquisador do Departamento de Psicologia da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e Welmer Carneiro, médico do trabalho e gerente de Estratégias de Saúde Ocupacional na D`Or Consultoria e D'Or Soluções.

Ana Vazquez apresentou duas iniciativas: o "Projeto estratégico para bem-estar e engajamento no trabalho na pandemia por Covid-19" e o "Projeto Anjo da Guarda: Compliance em Saúde Mental no Trabalho". Já Roberto Cruz mostrou a experiência de monitoramento de indicadores de saúde e segurança na Antártica, em que se avaliou a associação entre marcadores biológicos e reações psicofisiológicas, psicológicas e psicossociais. Welmer Carneiro, por sua vez, destacou como a saúde mental tem sido atingida na atualidade, especialmente durante a pandemia, e como é necessário agir de forma preventiva.

Assista à Live #3 Detecção de riscos à saúde mental no serviço público – Experiências Brasileiras Parte 1

Sujeito em construção

Será que aquilo que a gente propõe para as pessoas possibilitam que elas se construam enquanto sujeito coletivamente?”. A questão foi colocada por Laerte Sznelwar, médico e professor associado do Departamento de Engenharia de Produção da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (USP), que participou deste quarto encontro ao lado do pesquisador da Fundacentro, José Marçal, e de Cláudio Brunoro, engenheiro de produção e responsável pelo Subcomitê Técnico da IEA - Theoretical Perspectives on Human Factors and Sustainable Development.

Outro ponto colocado por Sznelwar foi a importância de se pensar o sentido do que o sujeito realiza durante o trabalho e se é compatível com os valores dos serviços públicos. “Essa questão é fundamental quando estamos falando em saúde. Se o trabalho não me propicia condições de evolução, ele propicia um dano existencial”, afirmou.

A escuta é outro fator importante. “Como olhar para o trabalho com a compreensão de quem vive?”, questionou Brunoro. Em sua avaliação, a gestão precisa se abrir para escutar os trabalhadores. Já para Marçal, a consolidação de instituições engajadas é a melhor forma para proteger a saúde de servidores.

Assista à Live #4 Detecção de riscos à saúde mental no serviço público – Experiências Brasileiras Parte 2

Sistemas, dados e indicadores

O uso de sistemas, dados e indicadores foi tema do quinto encontro da jornada, com a presença de Gabriela Soares, diretora executiva do Departamento de Pesquisas Judiciárias do CNJ; André Brunoni, professor associado da Faculdade de Medicina da USP e diretor do Serviço Interdisciplinar de Neuromodulação do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas; Mirian Bittencourt, coordenadora-geral de Informações Gerenciais do Ministério da Economia; e da diretora Erika Benevides.

André Brunoni apresentou o Estudo Longitudinal de Saúde do Adulto - ELSA Brasil, uma investigação com 15 mil funcionários de seis instituições públicas de ensino superior e pesquisa das regiões Nordeste, Sul e Sudeste do Brasil. Já Gabriela Soares apresentou o “Diagnóstico de Saúde Mental dos magistrados e servidores do contexto da Pandemia da Covid-19”, iniciativa do Comitê Gestor Nacional de Atenção à Saúde Integral de Magistrados e Servidores do Poder Judiciário.

Por fim, Mirian Bittencourt mostrou como Sipec (Sistema de Pessoal Civil da Administração Federal), Sigepe (Sistema de Gestão de Pessoas do Governo Federal) e Siape (Sistema Integrado de Administração de Pessoal) podem subsidiar ações voltadas para a saúde mental dos servidores públicos federais. Há dados, por exemplo, sobre os tipos de afastamentos, e a disponibilização de boletins e painéis estatísticos, por meio do portal de dados abertos.

Assista à Live #5 Sistemas, dados e indicadores 

Olhar internacional

O último encontro contou com a presença de Liliana Cunha, professora da Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação e da Faculdade de Engenharia, na área de psicologia do trabalho, da Universidade do Porto. Ela trouxe uma perspectiva internacional ao evento, discutindo uma concepção integrada de saúde – física e mental – e que considere as diferentes expressões de sofrimento, assim como as margens de manobras diferenciadas para lidar com eles.

No final, houve um bate-papo com Camila Medeiros, coordenadora-geral no GNova/Enap e responsável pela iniciativa de inovação aberta gov.br/desafios; Keicielle Schimidt de Oliveira, gestora de projetos na iniciativa de inovação aberta gov.br/desafios; e Erika Benevides.

Assista à Live #6 Experiências Internacionais e Tira-dúvidas sobre submissão