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Acolhimento e saúde

Unidade de Internação Psiquiátrica ganha alojamento conjunto para mãe e bebê

Publicado em 20/01/2021 08h24 Atualizado em 20/01/2021 08h27
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Alojamento conjunto
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      O trabalho de conclusão do Mestrado Profissional do Técnico em Enfermagem e Assistente Social, Marcelo Artmann, irá transformar a rotina de acolhimento da Unidade de Internação Psiquiátrica Paulo Guedes, no Hospital Universitário de Santa Maria (HUSM). Aluno do Mestrado em Saúde Materno-Infantil, da Universidade Franciscana (UFN), Marcelo – que é funcionário há 10 anos na Unidade psiquiátrica – buscou inspiração em uma prática já consolidada em países como Reino Unido, França, Austrália, Nova Zelândia, Estados Unidos e Índia, para criar um alojamento conjunto mãe-bebê.

- A internação em unidade psiquiátrica pode ser traumática, e a separação do bebê aumenta esse sofrimento. O alojamento conjunto vem como alternativa para evitar essa separação e manter o vínculo afetivo entre mãe-bebê, inclusive através da possibilidade da continuidade da amamentação. Os benefícios desta modalidade de internação também devem ser observados sob a ótica da criança, ela será beneficiada pela manutenção do vínculo com a mãe - relata Artmann.

Durante o tempo que trabalha na Paulo Guedes, Artmann percebeu a preocupação das mães com a criança que está em casa, muitas vezes cuidada por familiares ou até amigos.  Também constatou a preocupação pela falta de notícias, tendo em vista que na unidade internam pacientes de cidades vizinhas. Presenciou mães que, quando iam dar alta, tinham perdido até o "jeito" de pegar o bebê no colo ou de amamentar.

- Essa ideia já era uma sementinha que estava na minha cabeça e brotou junto com o Marcelo. Tivemos um outro mestrando da unidade, o do enfermeiro Ricardo Lied, que desenvolveu o projeto final de uma sala lúdica “Mania de Brincar” – para crianças maiores que vem visitar as mães. No final desse primeiro trabalho, encontramos alguns artigos internacionais sobre esse tipo de alojamento, voltado às crianças de até 1 ano – Conta a professora orientadora, Luciane Najar Smeha, Doutora em Psicologia.

De acordo com Artmann e a orientadora, essa iniciativa é inédita no Brasil em hospitais do Sistema Único de Saúde (SUS).

- Não identificamos nenhum outro alojamento conjunto mãe-bebê, em unidade de internação psiquiatra no país. A ideia de começar pelo SUS é muito importante, porque começa no serviço público, o qual tem potencial para oferecer um serviço de qualidade, mais humanizado e que faz a diferença na vida das pessoas- afirma Artmann.

Para colocar a ideia em prática, foram várias etapas. A primeira foi buscar a aceitação dos colegas e dos gestores do hospital.

- A influência do ambiente para o bem-estar emocional é muito grande. Desde o início a equipe acolheu, desejou e acreditou que iria funcionar – Diz Luciane.

- A gente tem que cuidar do ambiente onde trabalha, porque é onde permanecemos mais tempo. Até mais do que em casa. Quando eles trouxeram a proposta, reconhecemos a necessidade e apoiamos desde o início – afirma Suzinara Lima, chefe da Divisão de Enfermagem do HUSM.

A última etapa foi, literalmente, colocar a mão na massa, ou melhor, nos pincéis e na parafusadeira, para montar os móveis. Em duas semanas, as paredes ganham nova cor, uma cortina e uma faixa de papel de parede. Um leito foi transferido para a nova sala. Ao lado foi montado um berço, uma banheira, uma cômoda com trocador e produtos de higiene, além da poltrona de amamentação, quadros na parede e tapete. Tudo para tornar o espaço o mais acolhedor possível. Artmann calcula ter investido cerca de R$3 mil.

O alojamento foi entregue no início de janeiro, mas aguarda a retomada das visitas – suspensas devido à Pandemia – para dar início ao projeto. Após passar por uma avaliação médica, a mãe que quiser receber o filho de até 12 meses, poderá permanecer com ele no alojamento conjunto. Inicialmente, de 3 a 4 horas por dia. As gestantes próximas a data do parto também podem participar e se beneficiar de um ambiente adequado e planejado, enquanto aguardam a chegada do bebê.

- A continuidade do trabalho será a observação prática, com acompanhamento de uma equipe multiprofissional. Estamos participando de um novo edital onde buscamos recursos para instalar câmeras, interfone, computadores para ver as imagens. Queremos gravar alguns momentos da interação da mãe com o bebê para entender se a interação avança e ela ganha autonomia nos cuidados. É tudo muito novo. Estamos desbravando caminhos – conclui a orientadora.