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Vidas salvas

HUWC e MEAC aperfeiçoam medidas de combate à morte por hemorragia grave

Publicado em 13/01/2021 16h36 Atualizado em 13/01/2021 16h39
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Jaciara Araújo Monteiro, coordenadora da enfermaria da clínica cirúrgica II, com o kit de hemorragia grave

Em todo o planeta, a hemorragia é uma das principais causas de óbito de pacientes hospitalizados, particularmente pacientes cirúrgicos e gestantes e puérperas. Com o objetivo de agilizar o atendimento desses pacientes, os Comitês Transfusionais do Hospital Universitário Walter Cantídio (HUWC) e da Maternidade-Escola Assis Chateaubriand (MEAC), do Complexo Hospitalar da UFC/Ebserh (CH-UFC), desenvolveram um protocolo de intervenções multiprofissionais. O documento, amplamente discutido e aperfeiçoado ao longo destes últimos anos, conta com vários passos que, segundo a chefe das unidades transfusionais do Complexo, a hematologista Denise Brunetta, já vem salvando muitas vidas.

 “A hemorragia pós-parto é a primeira causa de óbito materno no mundo, e a segunda no Brasil (onde a primeira é doença hipertensiva). A identificação, o acionamento dos envolvidos e o manejo precoces dos pacientes com hemorragia grave são fundamentais para melhorar a sobrevida desses doentes”, explica Brunetta. As estratégias vão desde a agilidade na solicitação e liberação de exames à realização de simulações de transfusão de emergência e discussão de casos clínicos, unindo gestão assistencial e qualificação profissional em benefício do assistido.

 Saber que os pacientes não são números, mas o amor da vida de alguém, motiva os profissionais a tratarem com o máximo de atenção e competência, minimizando os danos e promovendo a saúde. Um exemplo é Ivna Monteiro do Nascimento, de 20 anos, que deu entrada na MEAC gestante, com sepse por febre tifoide. Com um estado muito grave, ela chegou a tomar transfusão de dois concentrados de hemácia e duas de plaquetas. Foram sete dias na UTI e mais alguns na Enfermaria, até finalmente ter alta para voltar à casa, onde dois filhos e o marido a esperavam. Hoje, ainda se recuperando, tem consciência de tudo o que passou e de como a transfusão adequada foi fundamental para que seguisse viva.

No HUWC, José Bezerra, morador de Várzea Alegre, de 72 anos, realizou o transplante de fígado no último dia do ano passado. A filha, Sabrina Menezes, disse que foram sete horas de um procedimento difícil, em que o pai, por problemas de coagulação, precisou receber hemocomponentes. Após 48 horas em observação, ele teve a alta que a filha chama de “o milagre de 2020”. A qualificação adequada dos profissionais envolvidos garantiu o sucesso da cirurgia.

“Como hospitais universitários, buscamos estar sempre na vanguarda das boas práticas em saúde, formando, assim, nossos alunos e beneficiando nossos pacientes. Por isto, esse protocolo é revisado periodicamente, dada sua importância para salvar vidas”, completa o superintendente do CH-UFC, Prof. Carlos Augusto Alencar Júnior.  Durante este mês de janeiro, as unidades transfusionais seguem o treinamento em serviço, promovendo momentos de apresentação e discussão do protocolo nos locais de trabalho dos profissionais da assistência. Mais informações sobre a programação podem ser obtidas no telefone (85) 3366.8116.

 Conheça algumas das ações que estão ampliando o combate à hemorragia grave no CH-UFC:

  1. 1. Fluxo automatizado de solicitação dos exames necessários no sistema Master, com a inclusão do Protocolo de Hemorragia Grave.
  2. 2. Kits de coleta de amostras para exames laboratoriais e testes pré-transfusionais disponíveis nas unidades de atendimento.
  3. 3. Identificação clara das amostras para priorização máxima no laboratório.
  4. 4. Redução do tempo de centrifugação das amostras para os testes pré-transfusionais emergenciais e testes de coagulação.
  5. 5. Simulações de transfusão de emergência com as equipes das unidades transfusionais.
  6. 6. Hemocomponentes para atendimento de emergência previamente selecionados, testados e identificados em gaveta separada.
  7. 7. Retorno dos primeiros exames laboratoriais nas mãos da equipe solicitante, com previsão de entrega dos resultados em menos de 10 minutos.
  8. 8. Protocolos de coletas de amostras e manuseio dos pacientes atualizados e disponíveis na intranet nos dois hospitais.
  9. 9. Aquisição de caixas aquecedoras de soluções para os dois hospitais.
  10. 10. Programação de convênio para disponibilização de testes viscoelásticos na beira do leito para monitorização em tempo real da coagulação dos pacientes.
  11. 11. Disponibilização de ácido tranexâmico para pacientes cirúrgicos e obstétricos.
  12. 12. Treinamento das equipes para condução dos casos.
  13. 13. Implantação da discussão dos casos de hemorragia grave com todos os envolvidos, com avaliação das oportunidades de melhoria.