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CAMPANHA JULHO AMARELO
Complexo Hospitalar da UFC/Ebserh alerta para a importância da prevenção, do diagnóstico precoce e do tratamento das hepatites virais
O teste rápido é oferecido gratuitamente nas unidades básicas de saúde durante todo o ano; resultado sai em 30 minutos
Menos de 50% dos adultos cearenses estão imunizados contra hepatite B. Por ser uma doença assintomática e não aparecer nos exames de rotina feitos anualmente, ela só é identificada em teste específico. Por tudo isso, a campanha Julho Amarelo, que alerta para a importância da prevenção, do diagnóstico precoce e do tratamento das hepatites virais mais comuns, que são aquelas causadas pelos vírus A, B e C, chama a atenção, em 2022, para a necessidade da vacina e da testagem. O Complexo Hospitalar da UFC/Ebserh apoia essa causa.
Tanto a vacina como o teste rápido estão disponíveis nas unidades básicas de saúde. “O resultado do teste sai em 30 minutos, a partir de uma gotinha de sangue que se tira da ponta do dedo. Tudo muito simples e rápido”, tranquiliza Elodie Hyppolito, médica hepatologista do Serviço de Transplante Hepático do Hospital Universitário Walter Cantídio (HUWC), do Complexo Hospitalar da UFC/Ebserh. Ainda de acordo com a especialista, não é necessário apresentar pedido médico para fazer o teste em qualquer posto de saúde de Fortaleza.
Ação de testagem na rodoviária
Inclusive, no próximo dia 16 de julho, das 8h às 13h, uma ação gratuita de testagem para hepatites será realizada no Terminal Rodoviário Engenheiro João Thomé com o objetivo de diagnosticar possíveis casos de hepatites B e C na população presente. Haverá também ações de educação em saúde visando levar informações sobre transmissão e prevenção das hepatites. A ação vai contar com médicos hepatologistas, enfermeiros, acadêmicos de Medicina, residentes multiprofissionais e demais representantes de ligas acadêmicas de diversas instituições de ensino superior do Ceará.
A hepatite B é uma doença transmitida, principalmente, por meio do sexo. Outra forma de transmissão importante é a de mãe para filho, no parto ou durante a gestação. Também pode ser transmitida pelo sangue, sendo essa também a principal forma de transmissão da hepatite C. Portanto, pessoas que realizaram transfusões de sangue antes de 1993 (ano em que esse vírus foi descoberto), foram submetidas a cirurgias, fizeram tatuagens, usaram drogas, realizaram hemodiálise, assim como profissionais de saúde e maiores de 40 anos, são a população-alvo para a testagem dessas doenças.
“Por que 40 anos? Porque a maioria das pessoas com 40 anos ou mais, quando se vacinava ou fazia qualquer procedimento hospitalar, usava seringa não descartável. Então, essas pessoas podem ter se contaminado em atos simples, como tomar uma vacina”, explica Elodie Hyppolito. Com relação ao tratamento, a médica hepatologista faz um alerta: “A imensa maioria só é diagnosticada na fase de cirrose ou de câncer de fígado, muitas vezes, precisando de um transplante hepático, já com ascite (água na barriga), sangramentos, desorientações. Nós não queremos fazer diagnóstico nessa fase”, pontua.
Hepatite C é a primeira causa de transplante de fígado
Segundo Elodie Hyppolito, a primeira causa de transplante de fígado é a hepatite C, seguido de álcool, esteatose (doença hepática gordurosa) e hepatite B. Foi o caso do funcionário público Nelson Leão Pantoja, de 61 anos. Em Ananindeua, Pará, ele foi diagnosticado com ascite abdominal, cirrose alcoólica e hepatite C. “Passei uns 5 meses em tratamento antes do transplante”, lembra. No último dia 19 de maio, foi transplantado no HUWC. “O que me levou a procurar ajuda médica foi a ascite, a dificuldade de respirar, pele e olhos amarelados e muita fraqueza. A chance de vida para mim era o transplante”, afirma.
Por isso, a médica hepatologista do HUWC chama a atenção para a importância do diagnóstico precoce. “Um transplante custa milhares de dólares, fora o pré e o pós-operatório, as medicações etc. Então, você imagina a economia para o SUS se a gente fizer o diagnóstico precoce”, analisa. Como o tratamento da hepatite C hoje é muito simples – um comprimido por dia durante 3 meses cura 100% dos pacientes –, o diagnóstico precoce faz toda a diferença.
Já a hepatite B é uma doença na qual não há cura, mas existem controle e tratamento, que impedem o aparecimento de cirrose e câncer de fígado. “O mais importante da hepatite B é alertarmos a população de que existe vacina gratuita disponível no posto de saúde. Hoje, toda criança que nasce é vacinada, mas quem tem mais de 40 anos e não sabe se está vacinado deve procurar uma unidade básica de saúde”, recomenda a especialista.
Onde buscar ajuda
Qualquer pessoa pode buscar o seu teste em postos de saúde de Fortaleza. Uma vez diagnosticado com hepatite, o paciente tem acesso ao atendimento ambulatorial no HUWC, no Hospital São José, no Hospital Geral de Fortaleza, no Núcleo de Atenção Médica Integrada (NAMI-Unifor) e na Clínica Escola de Saúde da Unichristus. Todos têm ambulatórios com dispensação de medicamentos. Há atendimento também nas policlínicas de Juazeiro do Norte e Sobral. “No HUWC, o ambulatório específico para atendimento de hepatites é realizado às quartas-feiras, das 8h às 12h, com equipe multiprofissional. Vale lembrar que o Hospital Universitário só recebe pacientes encaminhados via central de regulação de consultas”, chama a atenção Elodie.
“Como a vacina para a hepatite B faz parte do calendário vacinal, ela não falta. Se eu tomar hoje, faço a segunda dose com 30 dias e a terceira, com 6 meses. Há vacina também para a hepatite A, mas só é ofertada para grupos de risco, como os imunossuprimidos, por ser uma doença muito benigna”, esclarece. Ainda de acordo com a hepatologista, a meta da Organização Mundial de Saúde (OMS) é erradicar a hepatite C até 2030. “Erradicar é diminuir em 95% os casos novos; diagnosticar 80% dos pacientes doentes; e tratar, pelo menos, 65% dos diagnosticados até 2030. É perfeitamente factível se a gente conseguir que o paciente lá da ponta tenha acesso às informações de prevenção, tratamento e controle”, finaliza.
Saiba mais
É preciso fazer o teste para hepatite B e C, principalmente, se você:
- Tem mais de 40 anos de idade;
- Fez transfusão de sangue antes de 1993;
- Fez uso de drogas inaladas ou injetáveis;
- Fez hemodiálise, cirurgias ou tatuagens;
- É profissional da saúde, manicure ou policial;
- Tem múltiplos parceiros sexuais sem preservativo;
- Já apresentou IST (infecção sexualmente transmissível).
SERVIÇO:
Ação de testagem de hepatites no Terminal Rodoviário Engenheiro João Thomé com atividades de educação em saúde
Dia? 16 de julho
Horário? 8h às 13h
Local? Terminal Rodoviário Engenheiro João Thomé (Avenida Borges de Melo, 1.630 – Bairro de Fátima)
Mais informações? A ação vai contar com médicos hepatologistas, enfermeiros, acadêmicos de Medicina, residentes multiprofissionais e demais representantes de ligas acadêmicas de diversas instituições de ensino superior do Ceará
Jornalista responsável: Ludmila Wanbergna (MTB 1809 CE)
Unidade de Comunicação Social
Complexo Hospitalar da UFC
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