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Defesa homenageia militares atletas das Forças Armadas

Publicado em 23/06/2020 14h32 Atualizado em 23/06/2020 15h05

 

Brasília (DF), 23/06/2020 – Esta terça-feira, 23 de junho, é o Dia Mundial do Desporto Olímpico. Nessa data, também chamada de Dia Olímpico, é comemorada a criação do Comitê Olímpico Internacional (COI), fundado em 1894, para resgatar o espírito dos Jogos Olímpicos da Grécia antiga.

Na data, são homenageados os atletas que dedicam praticamente toda uma vida ao treinamento, com esforço e disciplina, para participar dos esportes olímpicos. Muitos deles são integrantes e ex-integrantes das Forças Armadas brasileiras. De longa data, a presença de militares atletas olímpicos é notória, assim como a contribuição do desporto militar para o desenvolvimento do esporte nacional, pois sua história confunde-se com a própria evolução do esporte brasileiro.



Foto: Arquivo pessoal Afrânio da Costa

A primeira medalha de ouro olímpica do País foi conquistada pelo Tenente do Exército Guilherme Paraense, há exatos 100 anos, nos VII Jogos Olímpicos da Era Moderna, em Antuérpia, na Bélgica. O militar atleta foi o campeão da prova de pistola de tiro rápido, feito histórico para a construção da trajetória olímpica brasileira.



Foto: Arquivo pessoal Afrânio da Costa

 A partir de então, vários outros militares atletas fizeram história e entraram para a galeria olímpica do esporte. Os exemplos são muitos. Dono de duas medalhas olímpicas e recordista mundial do salto triplo por 10 anos, o Sargento João Carlos de Oliveira, conhecido como João do Pulo, foi militar por formação profissional e, hoje, dá nome ao Projeto João do Pulo, do Ministério da Defesa. A iniciativa de inclusão social por meio do esporte atende pessoas com deficiência.

Outro ex-atleta olímpico que também integrou as Forças Armadas, como Cabo do Exército, foi Robson Caetano. Especializado em corridas de curta distância, participou de quatro Jogos Olímpicos. Conquistou medalha de bronze nos 200 metros rasos, em Seul, Coreia do Sul, em 1988, e outra, também de bronze, no revezamento 4x100 m, em Atlanta, EUA, em 1996.

Entre as mulheres, grandes nomes se destacam, como a Sargento do Exército Welissa Gonzaga. A jogadora de vôlei, mais conhecida como Sassá, conquistou medalha de ouro nas Olimpíadas de Pequim, China, em 2008.


Foto: Arquivo pessoal Sassá

Para Sassá, a conquista do primeiro lugar nas Olimpíadas de Pequim foi o momento mais emocionante de sua carreira. “Quando estávamos no pódio, no lugar mais alto e ouvindo o hino do nosso País, passou um filme em minha cabeça e voltei muito no tempo. Lembrei de tudo que tive que deixar para trás em busca do meu sonho de ser uma jogadora de vôlei e de, um dia, vestir a camisa da seleção brasileira. Deixei minha cidade, meu lar, minha família, meus amigos, com um único objetivo: de que um dia iria orgulhar a todos que torceram por mim e que sempre estiveram do meu lado”, disse.

A participação desses homens e mulheres em olimpíadas é revestida da superação de limites, de treinamentos extenuantes, de muita dedicação e de tantos outros predicativos daqueles que envergam a farda das Forças Armadas brasileiras e podem ser descritos como verdadeiros guerreiros.
De acordo com a história, inclusive, os jogos olímpicos receberam esse nome porque se referem a uma cidade da Antiga Grécia chamada Olímpia, na qual eram praticados jogos esportivos nos momentos de trégua entre uma guerra e outra.

Os pontos de convergência entre valores da caserna e os esportivos são inúmeros. Entre eles, figuram a disciplina, o respeito, a hierarquia, o espírito de equipe, a força física, o controle emocional e o patriotismo, entre outros.

Programa Atletas de Alto Rendimento

Nessa direção, e com o objetivo de contribuir para o fortalecimento do desporto militar e do desporto nacional de alto rendimento, o Ministério da Defesa e o Ministério da Cidadania (à época Ministério do Esporte), instituíram, em 2008, o Programa Atletas de Alto Rendimento (PAAR).

O sucesso da parceria foi expressivo e, nas Olimpíadas Rio 2016, o Brasil fez a melhor campanha de sua história nos jogos. Foram 19 medalhas olímpicas, sendo 13 conquistadas por militares atletas. Ao todo, 145 atletas militares integraram o Time Brasil, do total de 465 atletas, o que correspondeu a 31% da delegação. Entre eles estavam Arthur Zanetti, Sargento da Força Aérea, que foi prata nas argolas e que já havia conquistado o ouro nas Olimpíadas de Londres, em 2012. Estavam também as Sargentos da Marinha Kahena Kunze e Martine Grael, ouro na vela, e o Sargento do Exército Felipe Wu, que conquistou a prata no Tiro esportivo.

"O esporte imita o bom combate e os atletas levam para as competições esportivas vários dos mesmos nobres ideais dos campos de batalha. Hoje, os resultados alcançados pelos nossos militares em grandes competições mundiais e continentais refletem a força dos nossos mais caros valores: civismo, comprometimento, coragem, disciplina, ética, hierarquia, honra, lealdade, patriotismo e profissionalismo”, disse o Diretor do Departamento de Desporto Militar do Ministério da Defesa, Major-Brigadeiro do Ar José Isaías Augusto de Carvalho Neto.


Foto: COB

Nos últimos Jogos Pan-Americanos, que ocorreram no ano passado, em Lima, no Peru, uma das imagens mais marcantes e constantes era a de atletas brasileiros no pódio, prestando continência à Bandeira Nacional. Eram militares atletas das Forças Armadas. Naquela disputa, conquistaram nada menos do que 54,39% do total de medalhas que o Brasil ganhou. Competiram em Lima, pelo Time Brasil, 485 atletas. Desses, 138 eram integrantes do PAAR. Além de elevarem o nome do País, garantiram vagas para as próximas Olimpíadas.

Jogos Olímpicos de Tóquio

Para muitos atletas, toda a reviravolta por causa da COVID -19, incluindo a mudança dos Jogos Olímpicos de Tóquio e, ainda, uma série de dificuldades referentes aos treinamentos e competições anteriores a ele, tornou o sonho olímpico um pouco mais difícil. Porém, para aqueles que vivem a busca constante pela superação e pelo lugar mais alto do pódio, obstáculos são apenas mais um desafio. Muitos integrantes do PAAR já têm o carimbo para Tóquio. Muitos outros ainda vão lutar para se classificarem.



Foto: COB 


A Sargento da Força Aérea Vittoria Lopes é integrante do Programa desde 2015. Ela que foi prata no Pan-Americano de Lima, terminou em 4º lugar no Pré-Olímpico de triatlo, no Japão, credenciando-se para brigar pela medalha olímpica em Tóquio.

“Participar de uma Olimpíada e representar o nosso País é um sonho para qualquer atleta. E, ainda, como militar, o gostinho é ainda melhor. Tenho muito para agradecer às Forças Armadas, que me deram grande incentivo e oportunidades para evoluir no esporte”, disse a Sargento.



Foto: COB

O Sargento da Marinha Edival Pontes, conhecido com Netinho, foi o primeiro atleta do taekwondo brasileiro classificado para os Jogos Olímpicos de Tóquio 2020. A vaga foi garantida no Torneio Qualificatório das Américas, ocorrido em março, na Costa Rica. Logo depois, a COVID-19 chegou ao Brasil, exigindo o distanciamento social. “Meus treinos estão adaptados à situação, porque tenho que manter o foco para chegar bem em Tóquio. Sempre quis ir para uma Olimpíada e estou muito confiante”, destacou ele.



Foto: COB


Veterano em Jogos Olímpicos, o Sargento da Força Aérea Arthur Zanetti, da equipe brasileira de Ginástica Artística, busca uma vaga para Tóquio e conta que os treinos não podem parar jamais. “Nesse momento em que o mundo enfrenta a COVID-19 e, por isso, tivemos nossa rotina e planos modificados, precisamos usar a criatividade e buscar adaptações. Estou treinando em casa e a disciplina me ajuda muito", assegurou o atleta olímpico.

Por Maristella Marszalek

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