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Pesquisa apoiada pelo CNPq e MCTI desenvolve teste rápido, barato e eficiente para detectar a Covid-19

Um teste molecular para detecção da COVID-19, parecido com o PCR, com eficácia similar, mas com rápido diagnóstico e mais barato é o resultado da pesquisa desenvolvida pela professora da Universidade Federal de Goiás (UFG), Drª Gabriela Rodrigues Mendes Duarte.
Publicado em 18/03/2021 09h00 Atualizado em 30/03/2021 18h09

Um teste molecular para detecção do vírus da COVID-19, parecido com o já conhecido PCR, com eficácia similar, mas com rápido diagnóstico e mais barato. Esse é o resultado da pesquisa desenvolvida pela professora do Instituto de Química da Universidade Federal de Goiás (UFG), Drª Gabriela Rodrigues Mendes Duarte.

A pesquisadora coordena o projeto “Desenvolvimento de testes moleculares rápidos e de baixo custo baseados em LAMP para diagnostico da COVID-19 no point-of-care”, uma das propostas aprovadas pela Chamada MCTIC/CNPq/FNDCT/MS/SCTIE/Decit Nº 07/2020 - Pesquisas para enfrentamento da COVID-19, suas consequências e outras síndromes respiratórias agudas graves, lançada em Abril de 2020 pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações (MCTI), em parceria com o Ministério da Saúde.

O teste RT-LAMP para COVID-19 (sigla em inglês de amplificação isotérmica mediada por loop) criado pela professora detecta o material genético do vírus no momento da infecção ativa (fase aguda), como o PCR, a partir, também, da coleta pelo swab nasal (o cotonete introduzido pelo nariz). No entanto, segundo Gabriela, ele amplifica o material genético com alguns diferenciais que facilitam a operacionalizar o teste.

“O LAMP é isotérmico. Enquanto o PCR precisa de ciclos de aquecimento, o LAMP faz isso em temperatura constante. Isso simplifica porque o ciclo de aquecimento exige um equipamento que controle muito bem a temperatura, que é caro e não tem em qualquer laboratório”, explica a professora. “Além disso, o LAMP é menos sensível a interferentes, atua diretamente na amostra, sem precisar extrair o RNA, admite diversificadas formas de detecção e é mais barato e rápido. Assim, consegue aumentar a testagem”, completa.

A professora ressalta que ter um novo teste não excluiu a importância dos outros já em uso com sucesso. “Um teste não precisa ser melhor que o outro, é para somar, para testar mais pessoas, porque ainda estamos precisando aumentar esse número. A testagem é muito importante, principalmente um teste que diagnostica no inicio da infecção, para poder isolar a pessoa o mais cedo possível”, pontua.

Com a possibilidade de diversificadas formas de detecção, a professora e sua equipe adaptaram o teste para um formato mais simples, de fácil leitura dos resultados, com detecção por indicador visual, por cores. Se a amostra ficar rosa, não tem Covid-19, amarela, o paciente está infectado. Em 45 minutos é possível fazer a leitura e emitir o laudo.

O resultado do teste RT-LAMP é apresentado por variação de cores que determina a presença do vírus

Esse teste passou por uma experiência, entre novembro e dezembro de 2020, com 500 trabalhadores de Goiânia, incluindo profissionais de limpeza urbana, transporte público e Policiais Rodoviários Federais. Depois, foi adaptado para o modelo point of care, que é teste em ambiente hospitalar. “Fizemos uma parceria com o Hospital do Polícial Militar (HPM) para validação do teste e o resultado foi que o texto tem alta sensibilidade (85%) e especificidade (98%) e uma precisão geral de 95%”, comemora Gabriela, explicando que ele só tem limitações quando a carga viral está muito baixa.

Foi realizada testagem com centenas de trabalhadores na cidade de Goiânia

O custo do teste será pelo menos a metade do custo do RT-PCR  por amostra e o investimento de infraestrutura e baixo, de R$ 7,8 mil.

Com os resultados positivos e baixo custo, o teste entrou na rotina do Hospital das Clinicas da UFG. Agora, a Universidade lançou um edital de oferta tecnológica desse teste para qualquer laboratório que queira aplicar.

“O apoio do CNPq é muito importante nas nossas pesquisas. É uma diferença muito grande que faz. E nos proporcionou uma oportunidade única de, em um momento triste como esse, ter a experiências gratificante de ver aquilo que a gente faz dentro do laboratório sendo entregue à sociedade, que recebe, de fato, o resultado da nossa pesquisa”, concluiu a professora.

Recursos

O Projeto da Profª Gabriela recebeu do CNPq/MCTI, R$ 322 mil, da Fundação de Amparo à pesquisa do Estado de Goiás (FAPEG), R$ 100 mil e, a partir de um Termo de Cooperação com o Ministério Público do Trabalho de Goiás, R$ 1,3 milhão.

Importância da experiência

A rapidez com a qual a equipe da Profª Gabriela, do Laboratório de Biomicrofluídica da UFG, conseguiu concluir a pesquisa e apresentar o teste à sociedade é explicada pela experiência que já possuía com pesquisas em testes de diagnóstico molecular.

Profª Gabriela e sua equipe do Laboratório da UFG, que já contava com experiência em testes de diagnóstico molecular

“Já trabalhávamos, há cerca de 6 anos, no desenvolvimento para testes de diagnóstico molecular com outros vírus, com foco muito grande nas arboviroses, a dengue, o zika e, a chikungunya. Então, quando começou a pandemia, no início de março do ano passado, decidimos fazer teste para a Covid. Em 21 de março, iniciamos os testes”, conta.

A Profª Gabriela tem graduação e mestrado pela UFG e é Doutora em Química Analítica pela Universidade de São Paulo. É professora do curso de graduação em Química e do Programa de Pós Graduação em Química da UFG.