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Atletas paralímpicos já estão em Camboriú (SC) para formação de duplas com cães-guia

Os nadadores Mara Cavalca e Juan Santosm beneficiados pela parceria da Secretaria Especial do Esporte do Ministério da Cidadania com o Instituto Federal Catarinense e o Comitê Paralímpico Brasileiro mostraram afinidade com os cães-guia Gamma e Gael e não escondem a alegria com os novos parceiros
Publicado em 20/07/2021 11h59

Os atletas paralímpicos da natação Mara Cavalca e Juan Marcelo da Silva Santos já estão no Centro de Treinamento de Cães-guia para a formação de duplas com os futuros parceiros Gamma e Gael. Em menos de uma semana da chegada, os atletas já notaram os benefícios de ter um cão-guia: maior mobilidade, mais segurança, liberdade e uma companhia muito agradável para desfrutar os momentos de lazer.

Mara e Juan participaram da chamada pública resultado de um trabalho conjunto realizado entre o Instituto Federal Catarinense (IFC) e a Secretaria Nacional de Esportes de Alto Rendimento (SNEAR) da Secretaria Especial do Esporte do Ministério da Cidadania, com apoio do Comitê Paralímpico Brasileiro (CPB).

De acordo com a diretora-geral do IFC Camboriú (SC), Sirlei Albino, a ideia de contemplar com cães-guia os atletas paralímpicos surgiu de uma visita do secretário nacional de Esportes de Alto Rendimento, Bruno Souza, para tratar sobre a construção do complexo esportivo da instituição. Na oportunidade, o secretário conheceu o Centro de Formação de Treinadores e Instrutores de Cães-guia, localizado no campus. “Permitir que nossos atletas tenham cães-guias é uma forma de incentivá-los a ter mais independência e isso tem impactos até mesmo nos treinamentos”, ressalta Bruno Souza.

Formação de duplas

Os primeiros contemplados na chamada pública receberão os cães-guia ao longo de 2021. Juan e Mara, ambos paranaenses, já estão vivenciando o processo de formação de duplas, que dura, em média, de três a quatro semanas.

"Achei maravilhoso quando surgiu a oportunidade da chamada pública. Pensei que iria demorar, mas foi muito rápido. Agora estou vivendo um processo de conhecimento ao lado do Gael. Ele vai me ajudar e eu darei todo amor e carinho a ele", disse Juan.

Aos 14 anos, Juan perdeu a visão por conta de um glaucoma congênito. Três anos depois, em 2018, ele começou a nadar e não parou mais. Os treinos foram aumentando e as competições também. Hoje com 20 anos, ele coleciona títulos como o de vice-campeão brasileiro nas Paralimpíadas Escolares (2018), campeão paranaense de natação dos Jogos Escolares (2018) e ouro e prata nos Jogos Paradesportivos do Paraná (Parajaps - 2019). Esses são alguns dos destaques do atleta morador de São José dos Pinhas (PR).

A rotina de Juan era intensa antes da pandemia. De manhã, os treinos, à tarde, a faculdade de física. Detalhe: ele circulava de ônibus e sozinho. Juan acredita que o cão-guia vai melhorar ainda mais a sua mobilidade e segurança.

"Com a bengala é mais complexo. Minha cidade tem um calçamento precário e eu já passei por muitas dificuldades e perigos que não consigo perceber só com a bengala. Nos poucos dias que estou com o Gael notei uma diferença grande. Ele faz o desvio de tudo, consigo ‘enxergar’ com ele. Com o cão-guia vou ter mais autonomia e conseguirei andar mais rápido também", explicou Juan.

Mara, ao contrário de Juan, nasceu com baixa visão por conta de um parto gemelar aos seis meses de gestação. Ela ficou 54 dias na incubadora e teve retinopatia da prematuridade. Aos três anos, por conta de problemas respiratórios, começou na natação. E não parou mais. Campeã estadual desde 2016, campeã regional desde 2017, foi terceira colocada nacional nos 100m peito e, em 2019, quarto lugar na mesma prova. "Gosto de estar sempre na ativa, fazendo o meu melhor. Já viajei bastante pelo país para competir", disse Mara.

Quando surgiu o edital para ter o cão-guia, ela aproveitou a oportunidade, mas sem gerar muita expectativa. Assim como Juan, sabia da demora no processo para ter um cão-guia e de como a tecnologia assistiva ainda é escassa no país. "Acredito que com a Gamma terei mais autonomia e segurança para andar. Só vai melhorar!", afirmou.

Mara já notou a diferença de ter um cão-guia, mesmo nos poucos dias de formação. "Já percebi que a Gamma cuida de mim também. Em um dos treinos, ela desviou de alguns fios que estavam no alto. Se eu estivesse de bengala teria batido com a cabeça ou o pescoço. Logo que ela vê o obstáculo, para ou começa a andar diferente. Está me guiando e cuidando. É incrível!", ressaltou Mara, encantada com a futura cão-guia.

Recentemente, a paratleta perdeu a avó e o pai para o Covid-19. O pai faleceu na noite em que Mara recebeu a notícia da seleção na chamada pública: "Tenho certeza que meu pai e minha avó estariam me apoiando para ter o cão-guia", concluiu.

Diretoria de Comunicação – Ministério da Cidadania