Estudo inédito da Anatel mostra o cenário da inclusão digital da pessoa idosa no Brasil
Relatório propõe simplificação visual de plataformas, atendimento presencial humano e letramento digital para aumentar a inclusão digital da população 60+

A Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), com a cooperação da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), apresentou o relatório "Diagnóstico: A Inclusão Digital de Pessoas Idosas no Brasil". O estudo traça um panorama sobre a relação do público com 60 anos ou mais com o ecossistema tecnológico, identificando desafios estruturais, carências de competências digitais e diretrizes para promover uma conectividade segura e cidadã.
O diagnóstico indica que parcela expressiva desse público ainda se encontra em fase de inclusão digital. Nesse contexto, é necessário ampliar a conscientização sobre segurança e privacidade para consolidar o acesso a serviços básicos, como o uso de canais bancários e governamentais, a fim de garantir uma experiência protegida, simples e presente no cotidiano dos idosos.
Para o presidente da Anatel, Carlos Baigorri, é importante ir além do acesso físico à rede para que essa inclusão ocorra de forma plena e segura."O desafio central é garantir que todo esse potencial seja plenamente aproveitado pela população. Isso evidencia a necessidade de desenvolvermos políticas públicas e medidas regulatórias adequadas e específicas para essa parcela tão importante da sociedade, composta por nossos pais, nossos avós e por nós mesmos no futuro."
Barreiras para conectividade
De acordo com a pesquisa, o WhatsApp é a principal entrada digital para a pessoa idosa, motivada especialmente por laços afetivos e familiares. No entanto, obstáculos como interfaces pouco acessíveis, termos técnicos, medo constante de golpes e o preconceito etário restringem o acesso a recursos mais complexos.
"Essa parcela da população afirma ter muito medo, sendo este um fator inibidor para a inclusão digital. Uma vez que todos os atores da sociedade entendam e identifiquem isso, podemos desenvolver ações mais propositivas, em que o idoso seja o protagonista e que considerem suas reais necessidades”, explicou a superintendente de Relações de Consumo e Inclusão Digital da Anatel, Cristiana Camarate.
Soluções
A partir de escutas realizadas em sete capitais e de práticas da sociedade civil, o levantamento propõe seis eixos de ação: pedagógico, institucional, territorial, tecnológico, cultural e de governança. Entre as recomendações práticas estão a simplificação visual de aplicativos e sites, a obrigatoriedade de atendimento humano, oficinas formativas locais e a troca de experiências entre diferentes gerações.
"Trata-se de conectar pessoas e garantir que elas possam acessar, compreender e utilizar todas as tecnologias de maneira segura, significativa e inclusiva, transformando a conectividade em oportunidades concretas de educação, participação social e desenvolvimento sustentável", declarou a diretora e representante da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) no Brasil, Marlova Jovchelovitch.
Por fim, o estudo ressalta que a garantia de cidadania e segurança digital para a população idosa depende do trabalho conjunto entre governo, setor de telecomunicações, empresas de tecnologia, academia e sociedade civil.