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O INMET e a OMM em reforma: a consolidação das parcerias público-privadas.

Publicado em 10/06/2021 16h35


Por Danielle Guimarães

O Instituto Nacional de Meteorologia (INMET) foi designado, em 1957, autoridade Brasileira para a Organização Meteorológica Mundial (OMM), Agência especializada das Nações Unidas (ONU) nos temas referentes ao tempo, clima e água. No entanto, como país fundador, o Brasil celebra em 2021, 70 anos de parceria com a OMM.

A longa história conjunta mostra, não por coincidência, mas por alinhamento da visão de futuro, que o INMET e a OMM têm trabalhado para se reposicionar estrategicamente diante dos desafios, dos novos arranjos de mercado e das inovações tecnológicas. Mais do que isso, têm trabalhado de forma diligente na implementação de seus respectivos planos estratégicos.

É nesse contexto que o Diretor do INMET Miguel de Oliveira e a Vice-Presidente da OMM Celeste Saulo participaram de um evento virtual promovido pela Associação Catarinense de Meteorologia[1] em 19 de maio. Foi uma excelente oportunidade para debater a evolução da cooperação em meteorologia de diferentes perspectivas, bem como repensar as parcerias como instrumento eficaz para internalizar as inovações com recursos escassos.

Celeste Saulo lembrou que a OMM tem por finalidade substantiva facilitar a colaboração entre os 193 países-membros. Assim como o INMET, a OMM é responsável por compartilhar previsões, conhecimento baseado em ciência e boas práticas de maneira aberta e gratuita a toda comunidade. Já o setor privado tem conseguido tratar e monetizar os dados meteorológicos, transformando-os em produtos parametrizados.

Nesse cenário, onde está a sinergia entre o público e o privado?

Miguel de Oliveira acredita que o arranjo interativo que mais privilegia as vantagens competitivas do público e do privado é a parceria. O setor privado, que se diferencia pela eficiência no uso dos recursos, é mais ágil para estruturar produtos que ajudam a mitigar os riscos climáticos dos negócios. Em adendo, o setor público e a OMM agregam mais valor quando aprimoram a regulação da qualidade dos dados, criam parâmetros de certificação, aperfeiçoam as modelagens numéricas e atuam como agentes de coordenação e otimização das informações. Sob qualquer perspectiva, os desafios de investimento são tão grandes que transcendem a capacidade de um único setor.

Mas como integrar os benefícios gerados por cada setor? Vale relembrar o anúncio feito pelo Governo Britânico em fevereiro de 2020: investimentos na ordem de 1,2 bilhões de libras para desenvolver um supercomputador em parceria com a Microsoft². Espera-se que a acurácia dos dados gerados ajude a subsidiar a política de mitigação dos efeitos das mudanças climáticas, com perspectiva de zerar as emissões até 205[2].

No Brasil, o INMET e a empresa Newe firmaram parceria para fomentar o desenvolvimento de seguro rural com índice paramétrico com base nos dados do Sistema de Informação Meteorológica (SIM Inmet). Com efeito multiplicador, Miguel de Oliveira considera que “essa parceria vai possibilitar a implementação de uma ação estratégica para o INMET, que é a mitigação dos riscos climáticos para o produtor brasileiro, seja no campo ou nas cidades”.

Nesse contexto, as parcerias público-privadas têm adquirido cada vez mais atributos inovadores em cenários desafiadores, mas a meteorologia, um dos mais antigos campos do saber, está acostumada desde sempre a valorizá-las, pois sem o compartilhamento de informação não se faz previsões.

[1] A previsão Climática é com INMET ou INPE? Canal Papo de Meteorologia. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=Rjn2xLirUGs, acesso em 19/5/2021.

[2] Met Office and Microsoft to deliver more accurate weather and climate forecasts. Disponível em:  https://news.microsoft.com/en-gb/2021/04/22/met-office-and-microsoft, acesso em 22/5/2021.