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Especialistas discutem a dopagem no futebol em webinar da 1ª Jornada do Projeto Integra Brasil

Evento desta quinta-feira (27.08) foi o terceiro de uma série de nove webinares que serão realizados até dezembro, sempre com temas ligados ao futebol e aos direitos humanos
Publicado em 28/08/2020 13h27
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A 1ª Jornada do Projeto Integra Brasil realizou, nesta quinta-feira (27.08), o terceiro webinar de sua programação. O encontro virtual foi realizado por meio de uma parceria entre a Autoridade Brasileira de Controle de Dopagem (ABCD) e a Secretaria Nacional de Futebol e Defesa dos Direitos do Torcedor (SNFDT) da Secretaria Especial do Esporte do Ministério da Cidadania.

O tema foi “Futebol livre de dopagem” e o webinar contou com a presença de representantes da ABCD, da SNFDT, do Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), do Grêmio, além do ex-jogador Belletti, integrantes da seleção brasileira pentacampeã mundial.

“O futebol livre de dopagem é o sonho de todos. Quem não sonha não almeja e quem não almeja não conquista”

Ronaldo Lima, secretário nacional de Futebol e Defesa dos Direitos do Torcedor

O webinar teve início com o mediador Alexandre Carvalho, coordenador-geral da SNFDT e responsável pelas ações do projeto Integra Brasil dentro da pasta. Na sequência, Ronaldo Lima, secretário da SNFDT, e Luisa Parente, secretária nacional da ABCD, deram as boas-vindas aos palestrantes. “O futebol livre de dopagem é o sonho de todos. Quem não sonha não almeja e quem não almeja não conquista”, resumiu Ronaldo, antes de passar a bola para Luisa Parente, que promoveu uma introdução sobre a importância da luta contra dopagem e pelo jogo limpo.

“A união de forças é a melhor arma na luta contra a dopagem e por isso esse webinar é de alta relevância para o esporte brasileiro. A luta antidopagem é sinônimo de ética. A antidopagem faz parte da integridade do esporte e representa um direito do atleta, mas um direito que corresponde a deveres. A dopagem é fundamentalmente contra o espírito esportivo”, disse Luisa Parente.

As palestras foram conduzidas por Viviane Petinelli, secretária executiva adjunta do Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos; por Adriana Taboza, coordenadora-geral científica da ABCD; por Anthony Moreira, diretor executivo da ABCD; por Fernando Solera, médico presidente da Comissão de Controle de Dopagem da CBF; por Márcio Dornelles, médico do Grêmio; e por Belletti, embaixador global do Barcelona.

Viviane Petinelli apresentou o que é o Projeto Integra Brasil. “O Integra Brasil é um grande time de futebol. Estamos falando de 11 jogadores, que são as secretarias nacionais, a ABCD, a Secretaria Nacional de Futebol e Defesa dos Direitos do Torcedor, as secretarias do Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos e a CBF, que é uma grande parceira nesse projeto”, explicou Viviane.

“O Integra tem 11 unidades que, juntas, atuam para levar os direitos humanos a todo o país por meio do futebol. Estamos falando da promoção da vida, de qualidade de vida, de educação sobre saúde esportiva e da luta contra as drogas. O futebol nos permite promover os direitos humanos e é um instrumento poderoso que nos permite também enfrentar violações dos direitos humanos”, ressaltou Viviane.

Ela fechou sua palestra com um paralelo entre a corrupção e a dopagem. “Nós estamos hoje em um webinar sobre antidopagem.  Essa política tem um fundamento básico, que é a promoção da ética. Nós precisamos promover também a integridade e a retidão de caráter. Uma das maiores violações de direitos humanos em nosso país é a corrupção. E a corrupção é justamente a consequência de um caráter que não é reto e que não é íntegro, que cede a toda e qualquer oferta e que se corrompe porque busca vantagem indevida, ilícita. O doping é um ato de corrupção. Nós precisamos vencer todas as formas de corrupção, porque elas violam todos os demais direitos humanos”, alertou.


Sistema nacional antidopagem

Adriana Taboza abordou os aspectos mais técnicos da palestra. Ela explicou como está estruturado sistema nacional antidopagem, formado, no Brasil, por uma série de atores: a ABCD; a CBF, no caso do futebol; o Laboratório Brasileiro de Controle de Dopagem (ABCD), responsável pelas análises das amostras colhidas nos testes antidopagem; a Comissão de Autorização de Uso Terapêutico (CAUT), que garante aos atletas a Autorização de uso Terapêutico (AUT), instrumento que permite a eles fazerem uso de medicamentos proibidos em casos de necessidade comprovada pela CAUT; e o Tribunal de Justiça Desportiva Antidopagem – TJD-AD, responsável por fazer o julgamento de todas as violações de regras antidopagem.

“Não estamos mal. Quando lemos notícias de que o futebol brasileiro tem muita dopagem, é uma mentira. O futebol brasileiro está em uma positividade de 0,37%. O jogador de futebol não é um usuário de drogas ou um atleta que tenta burlar os controles antidopagem”

Fernando Solera, CBF

Adriana também abordou a Lista de Substâncias Proibidas e suas diversas classes, que incluem as drogas sociais, como a cocaína, responsável por diversos casos de resultados analíticos adversos no futebol.

O palestrante seguinte, Anthony Moreira, tratou dos Direitos e Responsabilidades dos atletas. “O sistema antidopagem existe para proteger o atleta limpo e para garantir que seus direitos sejam observados”, destacou Anthony. “O atleta, os dirigentes e as pessoas de confiança dos atletas precisam conhecer esses direitos. Eles estão na página da ABCD e nós aconselhamos que todos conheçam o conteúdo desse documento”, orientou o representante da ABCD.

Política Antidopagem da CBF

Em sua palestra, Fernando Solera falou sobre a Política Antidopagem da CBF, realizada pela Comissão Médica e de Combate à Dopagem. A CBF é a autoridade de coleta no Brasil, com anuência da ABCD para testar atletas nas competições do futebol brasileiro que são de responsabilidade da entidade.

Solera listou as drogas sociais mais comuns no esporte – Ecstasy, heroína, cocaína e maconha – e ressaltou que o Laboratório Brasileiro de Controle de Dopagem detecta todas essas substâncias. “As drogas sociais são proibidas e são ilegais. E a gente consegue pegar qualquer dessas drogas sociais. O nosso laboratório consegue detectar qualquer uma dessas substâncias com facilidade”, alertou o médico, que trouxe dados estatísticos sobre os testes e os casos de dopagem no futebol brasileiro.

Segundo o médico, existem atualmente 536 clubes profissionais e 188 clubes amadores no Brasil. Um universo com 55.505 mil jogadores e 10 mil jogadoras. Em 2019, em 1.508 jogos, foram colhidas 6.032 amostras no futebol masculino. No futebol feminino, em 149 jogos foram realizados 596 testes.

No ano passado, foram registrados 25 casos de resultados analíticos adversos, o que corresponde a apenas 0,37% das amostras testadas. De 2006 até 2019, foram apenas 195 casos positivos, em 57.544 amostras coletadas.

“Não estamos mal. Quando lemos notícias de que o futebol brasileiro tem muita dopagem, é uma mentira. O futebol brasileiro está em uma positividade de 0,37%. O jogador de futebol não é um usuário de drogas ou um atleta que tenta burlar os controles antidopagem”, frisou Solera.

Não ao cigarro e às bebidas

O palestrante na sequência foi Belletti. O pentacampeão, dono de 25 títulos no futebol brasileiro, espanhol e inglês, lembrou o início de sua caminhada no futebol e ressaltou a importância das vezes que negou os convites que recebeu para seguir por caminhos que poderiam prejudicar sua carreira. “Na minha formação no Cruzeiro, muitos dos garotos tinham tanta qualidade quanto outros e tinham um bom caminho a ser trilhado dentro do futebol, mas faltou suporte emocional e mental para eles em vários sentidos, inclusive nesse de acesso às drogas sociais”, afirmou.

“Me foi oferecido fumar quando eu tinha 16 anos, me foi oferecido beber quando eu tinha 17 anos. O dizer não veio do que meus pais me mostraram quando eu morava com eles até os 15 anos, mas também entendendo a responsabilidade que era tentar ser um jogador de futebol profissional naquele momento da adolescência”, prosseguiu o campeão mundial, que elogiou a atuação dos profissionais que atuam nos controles de dopagem.

“Aí eu virei profissional, com 18 anos, no Cruzeiro, e já comecei a conviver com exames antidoping. E é impressionante o carinho, o respeito e a preparação dessas pessoas ali no vestiário e no pós-jogo, e o modo como nos recebem. Até porque uns jogadores ganharam e outros perderam e os que perderam não gostariam de estar ali em função do emocional. Mas essas pessoas que nos recebem sabem, compreendem e são atenciosas”.

Por último, Márcio Dornelles fechou as palestras detalhando como a política antidopagem é trabalhada dentro do Grêmio.

Programação

A 1ª Jornada de Seminários do Projeto Integra Brasil foi iniciada em junho com um webinar promovido pela Secretaria Nacional de Cuidados e Prevenção às Drogas - SENAPRED, que debateu o tema “Combate às drogas, com ênfase no público jovem e nas suas implicações para a saúde física, mental e emocional”. O segundo webinar foi realizado no fim de julho e debateu o tema “O Poder do Futebol”.

Até dezembro, outros seis webinares serão realizados dentro da programação da 1ª Jornada de Seminários do Projeto Integra Brasil. O próximo evento será no dia 24 de setembro, promovido pela Secretaria Nacional da Juventude do Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, e, com o tema “Futebol: um like para a vida”, será voltado para o público jovem.

Diretoria de Comunicação – Ministério da Cidadania